Historia

ASSOCIAÇÃO DO CORPO VOLUNTÁRIO DE SALVAÇÃO PÚBLICA DE

S. PEDRO DE SINTRA

RECORDANDO ALGUNS TRECHOS DA SUA HISTORIA

À época da fundação desta Associação Humanitária, nos meios pequenos, a taberna era um dos principais pontos de convívio onde se reuniam cavaqueando sobre os problemas existentes, os indivíduos dos mais dispares estratos sociais e culturais.
Não tendo estes estabelecimentos o epíteto degradante que entretanto ao longo dos tempos lhe foi imputado.
Assim, esta Corporação nasceu numa taberna!...
Foi num desses estabelecimentos, propriedade de José Augusto Maquieira, que no mês de Junho de 1906, três operários de construção civil de seus nomes: Alfredo de Oliveira e Silva; João Tibúrcio Pacheco júnior e, João da Silva Coelho, acharam por bem por ombros à hercúlea tarefa de formar em S. Pedro de Sintra um “Corpo de Salvação Pública”, sendo o grande mentor da iniciativa, Alfredo de Oliveira e Silva (mais conhecido por “Alfredo Esteves”).
Mas, como começar do nada, num meio tão pobre como S. Pedro?
Pois, socorreram-se de um estratagema que na altura costumava dar resultado para angariar fundos, a realização de uma quermesse…
Para isso, dirigiram-se em comissão ao Senhor Visconde de Faro e Oliveira, com o intuito de lhe solicitarem um espaço na quinta que esse senhor possuía junto ao largo onde hoje se realiza o mercado de S. Pedro, no que foram atendidos.
Nesse dia, acharam junto ao muro daquela quinta, uma moeda de cinco réis, primeiro dinheiro que entrou no cofre desta Associação.
Mobilizaram-se então várias pessoas de boa vontade, para trabalhar na montagem de várias barracas de diversão, convidaram-se as bandas de musica então existentes no Concelho de Sintra, que acederam à solicitação, pediram a cedência de vários candeeiros de petróleo à Câmara Municipal de Sintra, dado na altura ainda não haver electricidade em S. Pedro, e projectaram a inauguração da quermesse para o dia 2 de Junho de 1907.
Com o dinheiro realizado, procederam ao aluguer de uma cocheira que foi transformada no nosso primeiro Quartel.
Foi elaborado um livro para inscrição de Sócios, sendo o primeiro sócio a assinar esse livro, El-Rei D. Carlos, que na altura se encontrava a veranear em Sintra.
Entretanto fizeram-se algumas escadas de “Crochet” e no dia 10 de Novembro de 1908 adquiriu-se a primeira bomba braçal (2ª do género a existir em Portugal, encontrando-se a primeira em Seia), importada de Metz (Alemanha) por intermédio da firma Harcj, Sommer & Cª, firma que contribuiu com a importância de 60$00 para aquisição dessa bomba, só nos cobrando a importância de 400$00, quando o seu custo era de 460$00 e ofertando-nos ainda 6 machados.
Como já havia algum material e vários homens interessados em serem bombeiros, em 30 de Maio de 1909, solicitou-se aos Bombeiros Municipais de Lisboa, a cedência de um instrutor para organizar e instruir o nosso “Corpo de Bombeiros”. No que fomos atendidos, tendo-se dado início à instrução do primeiro grupo de Bombeiros da nossa Associação, no dia 22 de Julho de 1909.
Conjuntamente com a instrução do “Corpo de Bombeiros”, continuou a preocupação no apetrechamento de material operacional, sendo feitas diligências que levaram a que no dia 23 de Maio de 1910, a Sra. D. Claudina Chamiço Mayer ofertasse uma bomba manual, ao mesmo tempo que um grupo de futuros Bombeiros procediam graciosamente à construção de uma escada “Magirus”, toda em madeira, a qual foi inaugurada no dia 25 de Maio de 1910.
Assim, em fins de 1910, o material existente já se contava por:
- 2 bombas braçais
- 1 escada mecânica “Magirus”
- 1 carro pronto-socorro (desconhece-se a sua proveniência, por falta de documentação)
- 1 maca de rodado do sistema Cruz Vermelha.

O total de gastos na aquisição e construção deste material, importou em 3.000$00.
Sob o comando de um dos fundadores, o Senhor Alfredo de Oliveira e Silva, começou então a actividade do “nosso Corpo de Bombeiros”, que teve a primeira intervenção de vulto, no dia 15 de Janeiro de 1920. debelando um enorme incêndio que deflagrou no “Challet América” na Estefânia em Sintra, tendo o seu proprietário, Senhor Venceslau Gomes, ofertado a importância de 50$00 como reconhecimento pela bravura demonstrada pelos nosso Bombeiros.
Actuação que, conjuntamente com outras intervenções em momentos dramáticos, contribuíram para criar o prestígio e a estima que esta Associação goza nos dias de hoje.

 
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